O Projeto Esperança participa das comemorações dos 30 anos da Constituição Brasileira

01/11/2018

Santa Maria, RS, 01 de novembro de 2018

 

                                  

Prezados Cooperativados, Parceiros e Movimentos Sociais e

integrantes do Projeto Esperança/Cooesperança e da Caritas!

 

“UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL!”

 

No dia 05 de outubro de 2018, a nossa jovem Constituição do Brasil completou 30 anos. Ela orienta e conduz os caminhos do Brasil e do Povo Brasileiro, mesmo que muitas vezes é desrespeitada, em muitas questões e também no que tange ao povo nas questões sociais, Direitos e a Soberania do Brasil.

                        Fui convidada pela equipe que está fazendo um documentário dos 30 anos da Constituição a fazer um artigo de 20 páginas sobre o Cooperativismo, Economia Solidária e Políticas Públicas. Fiz o texto e já enviei. Participei também de um vídeo sobre este tema. O qual pode ser acessado pelo facebook da Feicoop: www.facebook.com/feicoop ou pelo site: www.esperancacooesperanca.org.br ou www.esperancacooesperanca.org. São oportunidades que não dá para perder, pois acima de tudo precisamos dar a nossa parcela de contribuição e reflexão sobre os rumos da nossa Nação. O Brasil é um País de muitas potencialidades e o povo é generoso, trabalhador, hospitaleiro e solidário e muitas vezes desacreditado em seus sonhos e utopias.

 

Para contatos:

Projeto Esperança/Cooesperança

Rua Silva Jardim, 1704 – Centro – CEP 97.010-490 – Santa Maria - RS - Brasil

Fone: 55 3219 4599 / 55 99979 7087 / 99685 6282 whats Ir. Lourdes

E-mail: projeto@esperancacooesperanca.org.br / lourdesdill@hotmail.com

Sites: www.esperancacooesperanca.org.br / www.esperancacooesperanca.org

Facebook: www.facebook.com/feicoop

 

                           Sendo o que tinha no momento agradeço antecipadamente pelo apoio e divulgação deste trabalho.

 

                            Atenciosamente,

 

 

Irmã Lourdes Dill

Coord. do Projeto Esperança/Cooesperança

Vice-Presidente da Cáritas Brasileira

 

 

 

 

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O COOPERATIVISMO [1]

 

O Cooperativismo é mais que um modelo de negócios, o cooperativismo é uma filosofia de vida que busca transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. Um caminho que mostra que é possível unir desenvolvimento econômico e desenvolvimento social, produtividade e sustentabilidade, o individual e o coletivo.

Tudo começa quando pessoas se unem em torno de um mesmo objetivo, em uma organização onde todos são donos do próprio negócio. E continua com um ciclo que traz ganhos para as pessoas, para o país e para o planeta.

Não existe cooperativismo sem o compartilhamento de idéias. Ser cooperativista é acreditar que ninguém perde quando todo mundo ganha, é buscar benefícios próprios enquanto contribui para o todo, é se basear em valores de solidariedade, responsabilidade, democracia e igualdade. O cooperativismo tem um jeito único de trabalhar, se  organizar  e gerar  trabalho  e  renda.

Cooperativismo é trabalhar em conjunto. É assim, atuando junto, que as cooperativas dão mais força ao movimento e servem de forma mais eficaz aos cooperados. Sejam unidas em estruturas locais, regionais, nacionais ou até mesmo internacionais, o objetivo é sempre se juntar em torno de um Bem Comum  e  do  Bem Viver.

Os conceitos que dão identidade ao cooperativismo são:

·COOPERAÇÃO - O cooperativismo substitui a relação emprego-salário pela relação trabalho-renda. Em uma cooperativa, o que tem mais valor são as pessoas e quem dita as regras é o grupo. Todos constroem e ganham juntos.
·TRANSFORMAÇÃO - Ser cooperativista é querer impactar não só a própria realidade, mas também a da comunidade e a do mundo. É espalhar sonhos e mostrar que é possível alcançá-los sem deixar ninguém para trás.
·EQUILÍBRIO - Ser cooperativista é acreditar que é possível colocar do mesmo lado o que à primeira vista parece ser oposto: o econômico e o social, o individual e o coletivo, a produtividade e a sustentabilidade.

Para guiar os cooperativistas ao redor de todo o mundo, foram estabelecidos os sete princípios do cooperativismo. São os mesmos desde que foi fundada a primeira cooperativa da história, em 1844.

1.Adesão Voluntária e Livre
  1. Autonomia  e independência

3.Interesse pela Comunidade
4.Gestão  Democrática
5.Educação, Formação e Informação
6.Participação Econômica dos Membros
7.Intercooperação
Existem milhares de Cooperativas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo inteiro. É uma forma cooperativada de gerar trabalho e renda no campo e na cidade,  com  as  mais diferentes  formas  de organização.

              

BANCOS COMUNITÁRIOS

Banco comunitário é uma instituição depositária, normalmente desenvolvida e operada de forma local. Bancos comunitários tendem a concentrar-se nas necessidades dos negócios das famílias onde o banco possui agências provendo microcrédito. As decisões de financiamento são feitas por pessoas que compreendem as necessidades locais de famílias, agricultura, indústria e serviços. Os funcionários geralmente residem nas comunidades que servem.

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) e o Governo Federal consideram que o campo das Finanças Solidárias no Brasil é formado por 03 segmentos: Fundos Solidários, Cooperativas de Crédito e Bancos Comunitários.

O primeiro Banco Comunitário do Brasil foi o Banco Palmas, surgido em 1998 na periferia de Fortaleza-CE, nos grotões do nordeste, criado pelo povo simples da favela do Conjunto Palmeira.

Na época o Conjunto Palmeira, com 20 mil habitantes, era uma comunidade extremamente carente economicamente e enfrentava graves problemas de desemprego e desnutrição. Em uma assembleia da Associação dos Moradores perguntamos para os sócios: “Por que somos pobres?” Quase que ao mesmo tempo todos responderam: “Somos pobres porque não temos dinheiro”. O debate foi tão intenso, que resolvemos criar grupos de reflexão na comunidade em torno dessa mesma pergunta. Foram realizadas 97 reuniões com líderes locais, comerciantes e moradores. Em geral, os debates terminavam com uma visão fatalista da população em relação a sua pobreza, aceitando-a como algo natural, afinal, sempre foi assim, existem pobres e ricos desde “que o mundo é mundo”! É uma belíssima experiência e bem sucedida, hoje referência no Brasil e no Mundo.

A gestão do Banco Comunitário se dá no seio de uma organização comunitária. A comunidade é proprietária do banco. Ela elege um conselho gestor – formado por representantes da sociedade – que nomeia uma organização comunitária local para gerir o banco. O conselho gestor também faz o controle social do banco. A organização comunitária local – pode ser uma ONG, uma associação de moradores, um fórum de assentamentos, um grupo de mulheres, um grupo de artesãos – vai gerir o banco: atender, despachar, liberar os créditos. Alguns bancos funcionam de forma diferente, mas   a essência  é  sempre   o  coletivo  e  a forma  solidária  de  gestão.

Uma iniciativa que fortalece as economias locais, favorece a organização comunitária e promove a inclusão social são os Bancos Comunitários, com as moedas sociais, acesso ao microcrédito e objetivos e perspectivas da Rede Brasileira de Bancos Comunitários.

Assim definimos que Bancos Comunitários são serviços financeiros solidários, em rede, de natureza associativa e comunitária, voltados para a geração de trabalho e renda na perspectiva de reorganização das economias locais, tendo por base os princípios da Economia Solidária. Seu objetivo é promover o desenvolvimento de territórios de baixa renda, através do fomento à criação de redes locais de produção e consumo, baseado no apoio às iniciativas de Economia Solidária em seus diversos âmbitos, como: empreendimentos sócio-produtivos, de prestação de serviços, de apoio à comercialização (bodegas, mercadinhos, lojas e feiras solidárias), organizações de consumidores e produtores. Toda Comunidade se beneficia, participa e  interage,  contrapondo  ao  capitalismo excludente.

 

 

 

ECONOMIA SOLIDÁRIA

 

A Economia Solidária é um novo jeito de produzir, comercializar, de consumir produtos, de oferecer e receber crédito, onde as pessoas não são movidas pela ganância, mas pelo desejo de que não haja ninguém excluído, de que todos possam viver bem e priorizar o Bem Comum e o Bem Viver para todas as pessoas.

Pensamos em uma Outra Economia, onde em vez de individualismo, há união; em vez de competição, há cooperação; em vez de indiferença, há solidariedade; onde, no lugar da devastação do Meio Ambiente, há o cuidado com a natureza; e no lugar do autoritarismo de chefes ou patrões, há democracia participativa com todos, decidindo juntos e compartilhando igualmente o que se ganha ou se perde.

A imagem que se projeta da Economia Solidária, que vem crescendo rapidamente em nosso país, traz a promessa de um futuro mais justo e feliz para as novas gerações, sobre um novo modelo de desenvolvimento.

A partir desta imagem inicial, vamos ver mais de perto como a Economia Solidária realiza-se nas experiências concretas as definições e formulações que daí emergem, no campo e na cidade, milhares de experiências exitosas e bem sucedidas no Brasil.

 

UM JEITO DIFERENTE DE SER, VIVER E DE FAZER

 

A partir de experiências concretas, é possível perceber que a Economia Solidária é uma prática regida por valores éticos, humanos e cidadãos. Quais são esses valores? São os seguintes: Autogestão, Cooperação, Democracia, Solidariedade, Respeito à natureza, Valorização e promoção da dignidade do trabalho humano, valorização da vida e de alimentos saudáveis em favor de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável em vista do Bem Viver.

Economia Solidária pode ser definida como um jeito diferente de produzir, comercializar, comprar, trocar e consumir o que é preciso para viver. Nessa economia não existem mais exploradores e explorados, pois ninguém pretende levar vantagem sobre os outros e muito menos gerar riquezas através da destruição da natureza.

A base da Economia Solidária é formada pelas relações de cooperação, de solidariedade pelo fortalecimento dos grupos e das comunidades sem patrão, nem empregado, e todos pensando no Bem Comum e Bem Viver de todas as pessoas.

A característica mais importante de todos esses empreendimentos solidários é a autogestão. Isso significa que não há mais patrões e empregados. Os meios de produção (terra, equipamentos e instalações) pertencem a todos os que trabalham no empreendimento. A administração é feita coletivamente, de forma democrática, e os resultados são compartilhados entre todos.

E tem mais? Tem sim; a Economia Solidária é o caminho para outro desenvolvimento Solidário, Sustentável e Territorial. A Economia Solidária é entendida como uma estratégia de enfrentamento aos processos de exclusão social e de precarização do trabalho (degradação das condições de trabalho e a retirada dos direitos dos trabalhadores) que acompanham o desenvolvimento do capitalismo nos últimos dois séculos. O capitalismo é marcado por essa contradição de produzir riqueza gerando miséria e excluindo multidões.

Assim, além de valorizar, promover e articular as formas cooperativas e autogestionárias de produção, comercialização, consumo, crédito, etc., a Economia Solidária tem em vista a construção de um novo projeto de desenvolvimento para o país, que seja ao mesmo tempo sustentável, solidário, global e coletivo e por isso constrói a idéia “Pensar Global e Agir Local”.

 

DEZ PRINCÍPIOS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

 

  1. Autogestão: Os trabalhadores não estão mais subordinados a um patrão e tomam suas próprias decisões de forma coletiva, participativa e Autogestionária.

  2. Democracia: A Economia Solidária age como uma força de transformação estrutural das relações econômicas, democratizando-as, pois o trabalho não fica subordinado ao capital.

  3. Cooperação: em vez de forçar a competição, convida-se o trabalhador a se unir a trabalhador, empresa a empresa, país a país, acabando com a “guerra sem tréguas” em que todos são inimigos de todos e ganha quem seja mais forte, mais rico e, freqüentemente, mais trapaceiro e corruptor ou corrupto.

  4. Centralidade do ser humano:  As pessoas são o mais importante, não o lucro. A finalidade maior da atividade econômica é garantir a satisfação plena das necessidades de todos e todas.

  5. Valorização da diversidade: Reconhecimento do lugar fundamental da mulher e do feminino e a valorização da diversidade, sem discriminação de crença, cor ou opção sexual. A questão é a valorização de gênero.

  6. Emancipação: A Economia Solidária emancipa, liberta, transforma vidas e idéias.

  7. Valorização do saber local, da cultura e da tecnologia popular.

  8. Valorização da aprendizagem e da formação permanentes. O conhecimento se torna o patrimônio da humanidade.

  9. Justiça social na produção, comercialização, consumo, financiamento e desenvolvimento tecnológico, com vistas á promoção do bem-viver das coletividades e justa distribuição da riqueza socialmente produzida, eliminando as desigualdades materiais e difundindo os valores da solidariedade humana. Os produtos são orgânicos e repudiam os agrotóxicos.

  10. Cuidado com o Meio Ambiente e responsabilidade com as gerações futuras. os empreendimentos solidários, além de se preocuparem com que a eficiência econômica e os benefícios materiais que produzem, buscam eficiência social, estabelecendo uma relação harmoniosa com a natureza em função da qualidade de vida, da felicidade das coletividades e do equilíbrio dos ecossistemas. o desenvolvimento ecologicamente sustentável, socialmente justo e economicamente dinâmico, estimula a criação de elos entre os que produzem, os que financiam a produção, os que comercializam os produtos e os que consomem (cadeias produtivas solidárias locais e regionais). Dessa forma, afirmam a vocação local, articulada com uma perspectiva mais ampla, nacional e internacional. O trabalho em redes de cooperação.

 

 

ECONOMIA SOLIDÁRIA É UMA ECONOMIA QUE ACONTECE

 

Ao conhecer os princípios dessa nova economia, a gente percebe logo que ela não está aí apenas para compensar os resultados da exclusão social provocada pela economia dominante; ou para dar uma resposta ao desemprego. Ela veio para assentar as bases de um novo sistema social e econômico, a favor e não contra a vida, capaz de integrar solidariamente toda a sociedade, oferecendo a todos, oportunidade de trabalhar, consumir e viver com qualidade, de forma digna e ética.

Em nosso país, a Economia Solidária está crescendo rapidamente. É um movimento, do qual participam, principalmente, três segmentos: 

  1. Os próprios Empreendimentos Solidários, cada vez mais orientados rumo à formação de redes, a uma articulação nacional, com uma plataforma comum.

  2. As ONGs, Universidades, Incubadoras e outras Entidades, como a Caritas que dão apoio, sejam por meio de ações de formação técnica, econômica e política; seja por meio de apoio direto em estrutura, assessoria, consultoria, elaboração de projetos ou oferecimento de credito para a incubação e promoção de empreendimentos.

  3. Os Gestores Públicos, representantes de Governos Municipal, Estadual e Federal, que têm programas explicitamente voltados à Economia Solidária e que constituem a rede de gestores públicos pela Economia Solidária. É uma grande rede de importantes parcerias e organizações que participam, apoiam e interagem com o Movimento da Economia Solidária.

 

ECONOMIA SOLIDÁRIA E TRABALHO COOPERATIVADO

 

  1. O Protagonismo dos Empreendimentos Solidários

O protagonismo está relacionado na capacidade de uma pessoa ou grupo a ser reconhecido como autor responsável de um determinado processo. Ser protagonista significa ser sujeito de sua própria vida, de sua história.  No caso da EPS (Economia Popular Solidária), o protagonismo acontece através da participação ativa das pessoas em empreendimentos solidários ou Projetos Alternativos Comunitários (PACs), que através de uma metodologia democrática e participativa, permite que cada pessoa envolvida possa dar sua contribuição tendo em vista a construção de um novo projeto de sociedade justa e solidária. Ao longo da caminhada construída no processo das Feiras de EPS (Economia Popular Solidária), tem sido crescente o protagonismo dos grupos. Embora haja algumas limitações quanto a concepção, metodologia do trabalho, forma de gestão, infraestrutura e organização, as feiras são espaços previlegiados de protagonismo dos grupos. Isso ocorre na medida em que os grupos participam diretamente do processo de organização e realização das Feiras, seja através da exposição de produtos e materiais, como também, integrando as diferentes equipes de trabalho. O Projeto Esperança/Cooesperança nos seus 31 anos de história contribuiu muito neste protagonismo e mostra que um outro desenvolvimento é possível, urgente e necessário.

  1. Mística e Espiritualidade da Economia Solidária nos Empreendimentos Solidários

A mística e a espiritualidade deve perpassar o todo da ação, desde o planejamento, execução e avaliação. É um processo que exige abertura e envolvimento. A mística é o sentimento que nos leva a agir, é uma mística que acolhe, respeita e estimula a participação, valoriza os dons e a capacidade de cada pessoa.  É movida pela alegria da partilha de solidariedade. A espiritualidade é o que alimenta a nossa mística, é o cultivo do espírito integrando o sentido profundo das razões do nosso ser e fazer, na sua interação com tudo que existe. Espiritualidade é a nossa relação com a natureza, com as pessoas e com Deus. A espiritualidade mobiliza as pessoas na luta, resistência e busca dos seus direitos e fortalece uma prática solidária e de inclusão social e, em vista do Bem Viver e da “Transformação pela Solidariedade”.

  1. Relação local/global na perspectiva de Redes

“Pensar globalmente e agir localmente”, expressão usada constantemente na Formação, pois todos estão interligados como seres independentes. Os Empreendimentos Solidários mesmo organizados necessitam de uma articulação e Formação com outros Empreendimentos de outras regiões em torno da construção de Políticas Públicas. Neste contexto é necessário fortalecer o espaço local de organização global da sociedade, e isso ocorre a partir da organização do trabalho em rede, com outros empreendimentos e organizações, tendo em vista as questões estruturais mais amplas como a desigualdade social, da concentração (renda, riqueza, poder) e da exclusão social. Construir e fortalecer redes significa buscar integração, consolidar parcerias, fazer articulações. Na área da EPS (Economia Popular Solidária) trabalhar na perspectiva de rede não significa ignorar a especificidade de cada empreendimento, mas de firmar a organização dos empreendimentos num contexto de articulação com outros empreendimentos e organizações. As redes constituem um espaço de articulação dos empreendimentos em âmbito local, regional, nacional e até internacional e das parcerias com organizações da sociedade civil e do poder público. O Projeto Esperança/Cooesperança participa de várias redes, entre elas a Rede COMSOL e congrega a Teia Esperança da Região Central – RS, como forma de fortalecer sua articulação em Redes de Cooperação.

  1. Desenvolvimento Territorial, Solidário e Sustentável

O Desenvolvimento Solidário se traduz no compromisso ético-político com o destino do planeta hoje e para as futuras gerações. Dessa forma a solidariedade se manifesta através da inclusão das pessoas, com acesso e partilha dos bens comuns; do rompimento com a visão utilitarista do meio ambiente; de novas relações com o poder, buscando relações igualitárias (Gênero, raça, etnia e geração). Nesse modelo de desenvolvimento não há lugar para exploração nas relações de trabalho, para o agronegócio, nem para os produtos geneticamente modificados, no caso os transg~enicos e agrotóxicos. É também um modelo sustentável, na medida em que busca o reconhecimento das diversas formas de vida do planeta e, portanto, exige de todos e todas uma postura de cuidados. A Sustentabilidade que desejamos construir busca o desenvolvimento integrado das seguintes dimensões: ambiental, social; cultural; política e econômica. As Feiras são um modelo de desenvolvimento territorial, solidário e sustentável, através do cultivo de novos saberes e práticas; da valorização do trabalho; das diferentes culturas e experiências; do cuidado com o meio ambiente; da formação de lideranças; da produção, comercialização e consumo de forma ética e solidária.

 

A AUTOGESTÃO

 

A Autogestão diz respeito a capacidade das pessoas envolvidas num determinado Empreendimento Solidário, Entidade, Organização Social, de gestar o processo de organização e funcionamento desse espaço onde estão inseridas. Corresponde ao exercício da gestão compartilhada que qualifica as relações sociais numa perspectiva horizontal. No caso da Economia Popular Solidária, a Autogestão além de ser um eixo estratégico, constitui um processo metodológico, onde as pessoas envolvidas nos Empeendimentos Solidários são responsáveis pela vida desse empreendimento no seu sucesso ou fracasso. Dessa forma, a autogestão envolve entre outros os seguintes elementos: democracia participativa; transparência na forma de organização o funcionamento e tomada de decisões; autonomia e co-responsabilidade das pessoas envolvidas. Nesse processo se busca urna Gestão Compartilhada ou participativa entre os diferentes atores  envolvidos, o  que significa dizer que todas as pessoas, a partir do seu espaço específico de inserção, são construtoras e co-responsáveis por um processo coletivo e autogestionário. Por  vezes, as dificuldades  que  a  realidade apresenta, sejam ela no âmbito social, político ou econômico, contribuem  para uma  cultura  de submissão,  de  dependência  e   até  mesmo  de indiferença, no que se  refere a participação de grupos em situação de exclusão, nos espaços da decisão e  construção coletiva. A Cáritas através da Economia Solidária e o Projeto  Esperança/Cooesperança, buscam fortalecer o exercício da autogestão nas diferentes inciativas, contribuíndo para o fortalecimento e participação ativa dos excluídos/as como protagonistas de um Modelo de Desenvolvimento Solidário e Sustentável onde a Gestão Colegiada e participativa são fundamentais como processo de Autogestão e o fortalecimento do Bem Viver para todas as pessoas.

Segue um exemplo de Organização na Economia Solidária que busca o Desenvolvimento Sustentável, Solidário e Territorial que é o Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria, com a articulação da Caritas Brasileira e do Rio Grande do Sul.

 

 

O PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA:

“Uma Experiência Aprendente e Ensinante”

 

O Projeto Esperança é um dos Setores do Banco da Esperança da Arquidiocese de Santa Maria que foi criado em 15/08/1987 e foi inspirado no estudo do Livro “A Pobreza Riqueza dos Povos” do autor Africano Albert Tévoèdjeré, cujos estudos e Seminários iniciaram em 1980, e no 3º Congresso da Cáritas Brasileira - RS em 1984. Na oportunidade, Dom José Ivo Lorscheiter, Bispo Diocesano de Santa Maria, com base no estudo do livro “A Pobreza, Riqueza dos Povos”, “A Transformação pela Solidariedade”, que valoriza as “pequenas coisas” e propõe a reinvenção da Economia e que tem como fundamento a Solidariedade. Dom Ivo desafiava a Cáritas - RS a criar e desenvolver os PACs (Projetos Alternativos Comunitários), com Autogestão, Cooperativismo e Sustentabilidade como um novo jeito de construir o Desenvolvimento Sustentável e encontrar soluções para os grandes problemas sociais, entre eles o desemprego, o êxodo rural, a fome, a miséria a exclusão social, no campo e na cidade.

Foi a partir desta reflexão que se fortaleceu e difundiu o modelo da Caridade Libertadora, ou seja, a Caridade Organizada, através dos PACs (Projetos Alternativos Comunitários), da Economia Popular Solidária e da “Reivenção da Economia”, que coloca como pano de fundo, a Solidariedade, Geração de Trabalho e Renda e as diferentes formas de organização Associativa, Cooperativada e de Autogestão, através de um Novo Modelo de Desenvolvimento Solidário, Sustentável e Territorial e a “Transformação pela Solidariedade”.

A partir de 1980, a Diocese de Santa Maria - Caritas/RS, a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), a EMATER Regional – RS e outras organizações iniciaram o estudo do livro, promoveram Seminários e Jornadas de Estudos na região Centro – RS, cuja articulação regional deu a origem aos PACs (Projetos Alternativos Comunitários), junto com a Cáritas Regional – RS. Em 1984 foram surgindo as primeiras experiências de Grupos Comunitários e Associações. Em 15/08/1987 foi criado o PROJETO ESPERANÇA e o início do seu funcionamento a partir dos Grupos Organizados que se integraram desde o início, neste Programa Social da Diocese de Santa Maria.

Em 1986 a Diocese de Santa Maria iniciou o diálogo com a MISEREOR e a KATHOLISCHE ZENTRALSTELLE FÜR ENTWICKLUNGSHILEFE e.v. – Alemanha, que garantiu o apoio inicial para o PROJETO ESPERANÇA. Apoiou muitos grupos, no contexto do Fundo de Crédito. A MISEREOR financiou o primeiro prédio do Terminal de Comercialização Direta e já renovou 11 (onze) Convênios Consecutivos com a Diocese de Santa Maria, através do Projeto Esperança/Cooesperança para o Programa do PROJETO ESPERANÇA, que trabalha na construção Regional da Economia Popular Solidária, juntamente com a Cáritas do Rio Grande do Sul, com diversas organizações e Entidades da região Centro – RS.

Frase de Dom Ivo Lorscheiter em 21/04/2005: “Eu desejaria, olhando o futuro, que a nossa região de Santa Maria, que é relativamente pobre, fosse mais intensamente ajudada com atitudes de Esperança. Nós, não queremos pessoas desanimadas, não queremos iludir ninguém, não queremos  criar falsas expectativas, mas a Esperança verdadeira”.

Hoje, 31 anos depois, olhando para trás, parece que foi apenas um sopro e tantas coisas aconteceram, tanto na história se contribuiu, e tantas pessoas foram beneficiadas. Gostaria de fazer desfilar na história e na memória de todos/as esta bela trajetória, valendo-nos das sábias palavras do saudoso e inesquecível Dom Ivo Lorscheiter: “Vai... Envolva o Mundo na Esperança”.

Mesmo, sem o Dom Ivo, o vigor gigantesco desta Missão segue com a bênção e apoio do nosso  Arcebispo Dom Hélio Adelar Rubert e com a energia e apoio de todos os colaboradores, parcerias, Universidades, Poder Público, Empreendimentos Solidários, Consumidores vamos fazendo desta história uma esperançosa realidade acontecer cada vez mais intensamente no campo e na cidade.

O Projeto Esperança/Cooesperança é uma proposta que na Arquidiocese de Santa Maria, articula e congrega as experiências de EPS (Economia Popular Solidária), e Agricultura Familiar no meio urbano e rural e na Prestação de Serviços, Desenvolvimento Solidário e Sustentável, Comércio Justo e Consumo Ético na perspectiva de “Uma Outra Economia Que Acontece”. O Projeto Esperança desde 1987, vem construindo o Associativismo, o Trabalho, a Solidariedade, a Cidadania e um Novo Modelo de Desenvolvimento Solidário Sustentável, Territorial e Augestionário, através da Economia Solidária e da Inclusão Social. As Alternativas concretas da Democracia, do Desenvolvimento Humano, Solidário e Sustentável e a “Reivenção da Economia”, coloca o Trabalho acima do Capital, formando novos sujeitos para o pleno exercício da Cidadania. A MISEREOR/KZE, SAEMA, Cáritas Brasileira, Caritas/RS, Movimentos Sociais, Pallottinos, UNIFRA, UFSM e a Prefeitura Municipal de Santa Maria/RS são parceiros históricos, que muito contribuíram nesta construção coletiva e participativa ao longo destes 31 anos. O PROJETO ESPERANÇA completou 31 anos de atuação ininterrupta no dia 15 de agosto de 2018.

 

COOESPERANÇA

 

A COOESPERANÇA é a Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos Vinculados ao PROJETO ESPERANÇA. É uma Central, que juntamente com o PROJETO ESPERANÇA, congrega e articula os grupos organizados e viabiliza a Comercialização Direta dos produtos produzidos pelos Empreendimentos Solidários, no Campo e na Cidade e que fortalecem juntos, com todos os grupos um Novo Modelo de Cooperativismo, na proposta Alternativa, Solidária, Transformadora e Autogestionária e do Desenvolvimento Solidário e Sustentável, na certeza de que “Um Outro Cooperativismo é Possível e necessário”. A COOESPERANÇA trabalha, junto com o PROJETO ESPERANÇA de forma integrada, a proposta da Economia Solidária em vista de um Desenvolvimento Solidário e Sustentável, fortalecendo a Cultura da Solidariedade. Foi fundada em 29 de setembro de 1989. A Cooesperança é uma cooperativa de 2º grau e congrega os vários segmentos de atuação como Agricultura Familiar, Agroindústria Familiares, Hortigranjeiros, Artesanato, alimentação, Feiras e Pontos Fixos de Comercialização Solidária, trabalho com os Indígenas, Catadores, quilombolas, entre outros.

 

                            

PRINCIPAIS SEGMENTOS E PÚBLICO BENEFICIADO COM O PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA: A Organização e a Formação, o Cooperativismo e a Economia Solidária, a Agricultura e Agroindústria Familiar, os Catadores/as de Material Reciclado, os Povos Indígenas, os Quilombolas, a Cultura Afro Brasileira, os Artesãos/as, os Trabalhadores Urbanos na parte de Alimentação e Confecção, o Comércio Justo e Consumo Ético e Solidário, a Agroecologia, as Políticas Públicas, a Segurança Alimentar Nutricional Sustentável, as parcerias e a articulação com as Redes Nacionais e Internacionais de Economia Solidária, as Feiras em Rede e Pontos Fixos de Comercialização Solidária, Rede COMSOL – Rede Brasileira dos Pontos Fixos de Comercialização Solidária no Brasil, onde está inserido o Projeto Esperança/Cooesperança com mais de duzentos pontos fixos de Comercialização Solidária a nível Nacional.

 

O PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA CONGREGA HOJE: Total de famílias beneficiadas: +/- 5.800 famílias em 34 Municípios do Território da Cidadania na Região Central RS; a área geográfica de toda a Arquidiocese de Santa Maria e Dioceses vizinhas da região central; Num total de 300 grupos organizados urbanos e rurais e pessoas beneficiadas com o trabalho do Projeto Esperança/Cooesperança: +/- 25 mil pessoas e o tipo de público beneficiado são: Agricultores/as Familiares, Artesãos/as, Agroindústria Familiar, Movimentos Populares, Pastorais Sociais, Educadores/as, Ecologistas, Acadêmicos, Cooperativas, Catadores/as de Resíduos Sólidos, Povos Indígenas, Quilombolas, grupos Afro-descendentes, Moradores em Situação de Rua, bem como um grande público de consumidores conscientes, participativos e apoiadores que procuram alimentos saudáveis e produtos produzidos sem exploração dos trabalhadores e trabalho infantil. Tem um trabalho muito grande com os consumidores.

 

ARTICULAÇÃO DO PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA: É a nível local, Regional, Estadual, Nacional, Internacional, Latino Americano e a nível Intercontinental por ocasião dos grandes Eventos Internacionais anuais que se realizam no mês de julho, em Santa Maria - RS, através das Redes Mundiais de Economia Solidária presentes nos 05 Continentes do Planeta Terra, presente na FEICOOP (Feira Internacional do Cooperativismo).

 

O PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS: As lutas e mobilizações populares são processos fundamentais para a garantia dos direitos. A constituição Federal de 1988 afirma como direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência ao desamparado. O reconhecimento e garantia destes direitos é necessário na construção de Políticas Públicas, que constituem um conjunto de ações permanentes que assegurem e as ampliem.  As Políticas Públicas não são políticas governamentais. As Políticas Públicas devem ser o resultado da ação da sociedade civil e dos governos onde elas precisam estar a serviço do espaço público, do coletivo, assim devem contribuir para a superação de políticas pontuais e fragmentadas, que servem como mecanismo de dominação dos governos sobre a sociedade civil. O Projeto Esperança/Cooesperança participa deste processo de construção e fortalecimento das Políticas Públicas, buscando garantia e sustentabildiade do trabalho autogestionário e clama pelo fortalecimento e necssidade das Políticas Públicas em todos os setores da sociedade.

 

FEIRÃO COLONIAL SEMANAL - 26 ANOS DE HISTÓRIA

 

O Feirão Colonial Semanal faz parte das atividades do Projeto Esperança/Cooesperança, setor vinculado ao Banco da Esperança da Arquidiocese de Santa Maria. Foi criado em 1º de abril de 1992, com a participação efetiva e comprometida dos Grupos Rurais e Urbanos associados ao Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria e consumidores que tem consciência do consumo de produtos saudáveis de qualidade, para a defesa da Vida e Saúde e dos grupos organizados na região central – RS do Território da Cidadania.

A Gestão do Feirão Colonial é feita de forma colegiada, participativa, interativa e autogestionária entre a Equipe do Projeto Esperança/Cooesperança e os grupos associados, nos diversos segmentos de atuação do mesmo. É a Economia Solidária e a Agricultura Familiar Camponesa que se fortalece na região central – RS, que gera trabalho, renda e Desenvolvimento Regional na visão do “Pensar Global e Agir Local”.

A Comercialização se dá de forma direta entre o produtor organizado e do consumidor/a consciente. O consumidor/a fica sabendo quem produziu o produto que ele consome e se cria uma relação de confiança mútua, solidária, comprometida, interativa e autogestionária.

Todos os participantes se comprometem na melhoria da qualidade dos produtos do FEIRÃO COLONIAL que fortalece a consciência e a prática do Comércio Justo, Consumo Ético e Solidário, entre produtores e Consumidores organizados e conscientes. É um encontro alegre e festivo que se repete todos os sábados com a integração de todas as classes sociais. É um espaço importante para o debate e troca de idéias e troca de experiências bem sucedidas a nível urbano e rural. É um projeto regional de grande envergadura organizativa.

O espaço físico do FEIRÃO COLONIAL congrega o Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter que tem uma área de mais de 4.000 metros construída, através de projetos com apoio do 1º prédio pela MISEREOR/Alemanha e os demais das três esferas do Governo Municipal, Estadual e Federal e outras Entidades Parceiras.

Os Feirões Coloniais realizam-se a cada sábado das 7h às 11h30min, no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, à rua Heitor Campos, snº, ao lado do Colégio Estadual Irmão José Otão, Santa Maria, RS, cujo espaço foi construído com  esta  finalidade, com apoio da Arquidiocese de Santa Maria e recursos de Políticas Públicas. No Feirão Colonial, realiza-se a venda direta do produtor ao consumidor, eliminando assim o atravessador, fortalecendo o Desenvolvimento Regional, Solidário, Sustentável e Territorial.

Os Pontos fixos de Comercialização Solidária fazem parte deste importante Projeto em Rede que são grandes espaços de articulação, debate, troca de experiências e de Comercialização Direta de produtos dos Empreendimentos Solidários. O Feirão Colonial é um grande mutirão feito com a participação de diversas Entidades de apoio e com Comissões de organização, organizações governamentais e não-governamentais e Agricultura Familiar Camponesa. O trabalho se fortalece em Redes de Comercialização Solidária, articulados pela Rede COMSOL (Rede Nacional de Comercialização Solidária).

A prática da Economia Solidária e o Cooperativismo estão fundamentados na Cooperação, Autogestão, Produção Coletiva e Agroecológica, Comercialização Direta, justa distribuição de Renda, Solidariedade, Comércio Justo, Consumo Ético e Solidário, Agricultura Familiar Camponesa e com a lógica econômica que valoriza o ser humano e o trabalho, acima do capital, em vista disso formar novos sujeitos para o exercício da cidadania e inclusão social, construindo um Projeto Democrático, Popular e Sustentável. O Feirão Colonial de Santa Maria, faz parte da Rede COMSOL, uma Rede Brasileira de Comercialização Solidária de quase 200 Pontos Fixos de Comercialização Solidária, apoiado pelo Governo Federal e coordenado pelo IMS (Instituto Marista de Solidariedade) e parceria com os demais Pontos fixos de Comercialização Solidária do Brasil.

Estes e outros importantes espaços fazem parte deste conjunto do Feirão Colonial e dos Pontos fixos de Comercialização Solidária que fortalecem a Economia Solidária na Região Central. Inclui milhares de trabalhadores no campo e a cidade que buscam a sua sobrevivência pela inclusão nos projetos de Economia Solidária, acompanhados pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), pela Cáritas Brasileira/RS, IMS (Instituto Marista de Solidariedade) e o Projeto Esperança/Cooesperança, e é um dos Setores do Banco da Esperança da Arquidiocese de Santa Maria, juntamente com muitas outras Entidades, Organizações, Pastorais e Movimentos Sociais, no trabalho em redes de cooperação de que acredita nesta forma de organização Solidária.

Agradecemos à todas as pessoas, Organizações Parceiras, Gestores Públicos, Universidades, Entidades Parceiras, Movimentos Sociais, Consumidores e Veículos de Comunicação que contribuem no fortalecimento e na realização deste importante trabalho que congrega, articula e fortalece a integração regional de experiências alternativas de produção e de Comercialização Direta, na perspectiva do “Pensar Global e Agir Local”, produzindo alimentos saudáveis com cuidado, consciência e autogestão.

Esta é uma trajetória de grandes desafios, mas também de muitas lutas e avanços na caminhada destes 26 anos ininterruptos do Feirão Colonial, coordenado pelo Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria do Rio Grande do Sul.

Este trabalho, sintetiza o que retrata o Provérbio Chinês, colocado no conteúdo: “Se quiseres planejar para um ano: plante cereais. Se quiseres planejar para 30 anos: plante árvores. Se quiseres planejar para 100 anos: organize e motive a organização do Povo”. Esta é a nossa convicção.

 

FEICOOP – FEIRA INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO

 

A Feira Internacional do Cooperativismo e a Feira Latino Americana de Economia Solidária iniciou as suas atividades em 1994. É o maior Evento de Economia solidária e Cooperativismo de articulação Nacional e Internacional coordenado pelo Projeto Esperança/Cooesperança que conta com muitas parcerias e organizações. É um Evento que articula a Economia Solidária do Brasil e da América Latina. Desde 1994, realizam-se importantes eventos do Cooperativismo, da Economia Solidária e da Agricultura Familiar Camponesa, em Santa Maria, RS, a Capital da Economia Solidária como “O Maior Evento de Economia Solidária da América Latina” nos 25 anos de Feira de Santa Maria: se torna “Uma Experiência Aprendente e Ensinante”.

A Feira de Santa Maria é um grande braço do FSM (Fórum Social Mundial) que iniciou em 2000 e é organizada por um grande Mutirão, através das Comissões de trabalho voluntário de pessoas comprometidas com os Princípios e a prática de Economia Solidária. A organização da Feira é uma grande Escola de participação, comprometimento, Democracia e Autogestão, coordenada pelo Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria e muitas parcerias. É um grande espaço de articulação, debate, troca de idéias, experiências de Comercialização Direta dos Empreendimentos Solidários da Economia Solidária, da Agricultura Familiar, das Agroindústrias Familiares, dos Catadores/as, dos Povos Indígenas, dos Trabalhadores/as do Campo e da Cidade, na Metodologia Autogestionária, do Fórum Social Mundial e na construção de “Um Outro Mundo Possível” e de “Uma Outra Economia Que Já Acontece”.

É, também, um grande espaço de articulação Nacional, Internacional e Autogestionário, onde o Trabalho e a Organização Solidária, através do FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária) e dos Fóruns Regionais da Economia Solidária, estão acima do capital, motivando assim a consciência de um Comércio Justo, Consumo Ético e Solidário, no fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional Sustentável. Estes Eventos fortalecem as práticas e convicções importantes, como a não comercialização de produtos com aditivos químicos, agrotóxicos, nenhum tipo de refrigerante ou cerveja industrializada, e nem o consumo de cigarros, motivando o consumo de produtos Naturais, Ecológicos como sucos, caldo de cana, água potável, alimentação sadia e natural, em favor da Qualidade de Vida e Saúde dos consumidores/as.  A Feira tem uma linha Editorial que sintoniza com a proposta de um Novo Modelo Econômico Solidário, Sustentável e Territorial para o cuidado da Vida no Planeta Terra em vista do Bem Viver de todas as pessoas.

Há, também, um grande espaço da Biodiversidade, Agroindústria Familiar, túnel da Reforma Agrária com a presença dos Camponeses/as, Espaço Arco-Íris Bem Viver, espaços Culturais sintonizados com a proposta da Economia Solidária, da Reforma Agrária, do Trabalho dos Catadores/as, dos Quilombolas, dos Povos Indígenas, dos Movimentos de Luta e Resistência e da integração da Economia Solidária e da Agricultura Familiar. Nesta perspectiva se fortalecem as práticas de uma outra forma de Consumo e o Trabalho Solidário, também do uso dos bens naturais, como a Água, a Terra, a Semente e o Ar, o conhecimento e os bens produzidos que são os grandes “Patrimônios Universais da Humanidade”.

Este espaço oportuniza e fortalece a construção de um Novo Modelo de Desenvolvimento Solidário e Sustentável de um Novo Modelo de Sociedade: Socialmente Justa, Economicamente Viável, Ambientalmente Sadia, Organizadamente Solidária e Cooperativada, Politicamente Democrática, fortalecendo a Cultura da Solidariedade, da Paz e da Justiça Social, na certeza de que “Um Outro Mundo é Possível” e de “Uma Outra Economia que já Acontece”.

 

AGRICULTURA FAMILIAR E A AGROECOLOGIA

 

A Agricultura Familiar e a Agroecologia, fazem parte da proposta do Projeto Esperança/Cooesperança desde o início. A Agroecologia é trabalhada como processo, de transição investindo especialmente na consciência dos Agricultores(as) e consumidores(as). É trabalhado em forma de processos Educativos na perspectiva de que “tudo o que nasce pequeno, vira processo e tudo o que nasce grande, vira monstro”. A Agricultura Familiar é o caminho para erradicar a Fome e a Miséria no Brasil e fazer com que “mais gente, possa ser gente”. Na preservação do Meio Ambiente é debatida toda a parte dos resíduos sólidos, para salvar o planeta e melhorar a qualidade de Vida Ambiental. É aproveitado os resíduos sólidos para a Geração de Trabalho e Renda. É dialogado sobre a questão dos grandes Patrimônios da Humanidade que são: a Água, a Terra, as Sementes, o Ar e a construção do conhecimento. A grande preocupação do Projeto Esperança/ Cooesperança é colocar na mesa do consumidor/a alimentos limpos e saudáveis que buscam o caminho da Comercialização Direta, produtos de qualidade sem agrotóxicos e sem aditivos químicos, dignos de serem consumidos para o cuidado da Vida e Saúde da população do campo e da cidade. Esta é uma das melhores formas de cuidar o Meio Ambiente, nossa Casa Comum.

 

REDE COMSOL: CONECTAR PONTOS, TECER UMA NOVA ECONOMIA.

 

Podemos afirmar que não é fácil viver coletivamente, também não é fácil produzir no coletivo. Porém a vida nos mostra, de diversas formas, que só em grupo, em conjunto com outras pessoas conseguiremos superar desafios, construir caminhos, seguir em frente com segurança, esperança, alegria e coragem...

Uma prova disso são os 31 anos do Projeto Esperança/Cooesperança, que desde 1987 vem construindo o associativismo, o trabalho, a solidariedade, a cidadania, um novo modelo de cooperativismo autogestionário, a Economia Solidária, a inclusão social, através de alternativas concretas como: a radicalização da democracia, o desenvolvimento humano, solidário e sustentável e a reinvenção da Economia, colocando o Trabalho acima do capital e formando sujeitos para o pleno exercício da cidadania.

Dom Ivo Lorscheiter, com sua imensa sabedoria nos dizia em 21/04/2006: “Não queremos ver pessoas desanimadas, Não queremos iludir ninguém, nem criar falsas expectativas, mas a Esperança Verdadeira”. Tendo essas palavras como base, o Projeto Esperança se lança na organização dos PACs (Projetos Alternativos Comunitários), criando a Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos vinculada ao PROJETO Esperança Ltda (COOESPERANÇA), em 29 de setembro de 1989. Surge assim uma Central de Comercialização que, junto com o Projeto Esperança, articula os grupos organizados da Região Centro/RS, viabilizando a Comercialização Direta de produtos produzidos pelos Empreendimentos Solidários do Campo e da Cidade. Esse trabalho coletivo e articulado fortalece a proposta da Economia Popular Solidária.

Procurando ter presente, em nossas reflexões, as palavras de Dom Ivo Lorscheiter, de não criar falsas expectativas, surge em 01/04/1992 o primeiro Ponto Fixo de Comercialização Solidária: o Feirão Colonial, com a participação dos Produtores Urbanos e Rurais associados ao Projeto Esperança/Cooesperança. E assim cria-se novos Pontos como a Casa do Artesão – APASM; o Centro de Economia “Frutos da Terra” e tantos outros, em diversos municípios da Região Centro/RS.

E a Esperança que Dom Ivo falava começa a se fortalecer. No dia 14 de Janeiro de 2003 nasceu a Teia Esperança! É a Rede dos Empreendimentos Solidários associados ao Projeto Esperança/Cooesperança, cujo principal objetivo é: articular produtores e consumidores através dos diversos Pontos Fixos de Comercialização direta, motivando o fortalecimento do Comércio Justo e o Consumo Ético e Solidário da região.

Esta organização em Rede (Teia) nos deu condições de participar, em 2013 do lançamento do Projeto da Rede Brasileira de Comercialização Solidária, hoje Rede COMSOL, coordenado pelo IMS (Instituto Marista de Solidariedade) e apoiado pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), cuja experiência vem sintetizada logo abaixo:

 

REDE BRASILEIRA DE COMERCIALIZAÇÃO SOLIDÁRIA - REDE COMSOL

 

Com o objetivo de “articular, organizar e animar uma Rede Nacional de Comercialização Solidária, como estratégia de fortalecimento da economia solidária e de arranjos econômicos de comercialização solidária com vistas á integração nacional das políticas de comercialização e promoção do desenvolvimento territorial sustentável e a superação da pobreza extrema no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria”, e através de uma Chamada Pública, a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES/MT) estabelece cooperação com o Instituto Marista de Solidariedade (IMS), para desenvolver o Projeto Rede Brasileira de Comercialização Solidária – Rede COMSOL.

Os Pontos Fixos representados pelas Lojas/Centrais, Feiras Permanentes e Centros Públicos constroem no coletivo, a Missão da Rede COMSOL, dizendo: “Nossa Missão é conectar pontos fixos de comercialização solidária, fortalecendo as relações e experiências comerciais entre empreendimentos econômicos solidários e seus parceiros comerciais, respeitando as diversidades, os saberes populares, construindo a prática contínua do Comércio Justo, fomentando o Consumo Consciente e as práticas agroecológicas, para o Bem Viver.”

Esta missão vem ao encontro dos ensinamentos de Dom Ivo Lorscheiter: “levar a esperança verdadeira... envolver o Mundo na Esperança...” e para colocá-los em prática, a nossa ação como Rede deve estar alicerçada nos valores:

  • do Bem Viver e da Democracia;

  • da Solidariedade e da Cooperação;

  • da Dignidade e da Autogestão;

  • da Autonomia e da Participação;

  • do Desenvolvimento Solidário, Territorial e Sustentável;

  • do Comércio Justo, Consumo Ético e Solidário;

  • da Economia nas mãos das pessoas e da comunidade com autogestão.

Hoje, a Rede COMSOL não é mais um Projeto, é uma realidade. Ela se estrutura como Rede Brasileira de Comercialização Solidária... Hoje ela começa a existir, a dar os seus primeiros passos, a tomar forma e os representantes dos 200 Pontos Fixos de Comercialização de todo o Brasil na 24ª FEICOOP em 2017 e que fazem parte dela, presentes no IV Encontro Nacional, em Santa Maria/RS disseram: Sim, a Rede COMSOL é nossa! Ela precisa de nós, Empreendimentos Solidários, de norte a sul do Brasil. É nossa responsabilidade torná-la forte, competente, articuladora, ensinante e aprendente, visível, promotora da Esperança Verdadeira de um desenvolvimento ecológico, ético e sustentável, a partir das nossas comunidades. Só assim o trabalho coletivo, autogestionário terá autonomia para desenvolver a consciência de um Consumo Ético, responsável, agroecológico, que promove a Vida e seja um dos pilares do Bem Viver para todas as pessoas do Planeta Terra.

Com tudo isso, nos 31 anos de nossa contribuição Brasileira, podemos afirmar que ao longo destes anos muito se contribuiu de experiências “Aprendentes e Ensinantes”, que vão sendo referência para outros Países e Continentes.

 

Lourdes Maria Staudt Dill, FDC

Coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança

Vice-Presidente da Caritas Brasileira

 

 

 

  1. Lourdes Maria Staudt Dill, Coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, Vice-Presidente da Caritas Brasileira

 

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